quarta-feira, 26 de agosto de 2009


E agora, que meu mundo mudou de cor, o que farei?
Aquele mundo em cores, cheio de vida, se foi,
E agora tudo é monocromático
Uma cor de cada vez

O vermelho da raiva tomou conta de tudo
E por onde eu passava so via a cor do sangue
E tudo tingido de carmin
E o sangue pulsando nas veias

E o azul do céu aos poucos tornara-se cinza
Juntamente com a cinza das árvores ao meu redor
O verde se foi e com ele a música
E o unico verde que restou
Foi o da mágica da pequena fada...

Resta tbm o amarelo escaldante
Do sol que queima qualquer vestígio de vida
E o laranja do fim do dia,
Que anuncia a chegada das horas mais escuras
Nas quais, nem a sua sombra é sua amiga...

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Operários da Podridão

Juntai-vos, filhos carbônicos da terra...
As vítimas do dualismo...excêntricos...impróprios...
Neuróticos da nova era...digital...industrial...espacial
A água que lava a minha mão, os outros bebem!

Vamos vermes, operários da podridão, trabalhem...
Roam tudo, não deixem nem as unhas, tampouco os cabelos...
Desenlacem a antiga fibra da dor vivente
Tirem dos olhos, aquelas...pálpebras dementes!

Voe corvo...emissário das ruínas...anuncie aos quatro ventos o pânico...
Denuncie as almas, policie os fantasmas...
Entregue ao barqueiro os corpos inanimados...
Mas deixe que os vermes façam seu trabalho!

Impacientes atravessadores do velho Aqueronte
Seu trabalho dobrará com o anúncio do fim...
Mas prepare bem os braços barqueiro...
A encomenda ultrapassa a quantidade de estrelas no céu...

O vento sopra enquanto eles rastejam na sarjeta...
O mesmo vento vento que move as caravelas...dos moinhos quixóticos
O bom amigo vento, que bagunça os cabelos
O valor comercial, imparcial: Vento, o disseminador de sementes!

Sem mais, o prelúdio de uma nova dominação...
Do protocolo da inundação aos números incólumes da seca
Se mais ninguém sente as chagas do mundo,
Venham, Anjos do Caos, terminem os trabalhos dos homens!

domingo, 9 de agosto de 2009

Libélulas

Vagando pela noite escura, eu não consigo ver nada.
-Ei, por favor, minhas explicações, não estão por aqui?
Somente meus passos eu sei onde estão...
O lamento dos dragões ao fundo da terra parda...
Lamúrios e inglórias de passado...
Alegrias e incertezas do presente...
Dúvias e lamentações do futuro...
Bombardeios mentais me enchem a cabeça...
O que me resta fazer? O que eu posso fazer?
Se agora minhas lágrimas são poças de sangue por onde passo...
Eu pinto de azul o céu e um sol bem amarelo...
Eu toco as nuvens, eu ouço vozes...Eu perco minha inocência...
Perco a razão, o sentido, as emoções, a direção...
Uma corrida insana e inconsciente para os portais da eternidade...
Eu mergulho até as vinte mil léguas submarinas...
Volto a tona e respiro o mais puro ar primaveril...
-Mas...ei, por favor, e as minhas explicações?
-Devem estar por aí, perdidas, voando soltas...como libélulas!

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Entrelinhas

Há uma tênue linha entre a dúvida e a certeza...
A imaginação não flui, em alguns, ela simplesmente não existe...
Há uma tênue linha entre a sabedoria e a ignorância...
No colosso da magnitude humana, a razão e a ciência...
No esplendor da credulidade, a irracionalidade e a crença...
Há uma tênue linha entre o céu e o inferno...
Não quero mais de tudo um pouco,
Ainda que seja o pouco mais valioso de um muito!
Não me interessa mais ouvir belas melodias!
Há uma tênue linha entre o crime e a inocência...
Lembro-me do dia em que você disse que não mais sentia...
E eu...eu não acredito em nada além do duvido
Nem vou mais brigar se estrelar o " Bloco do Eu Sozinho"...
Até por que, o pierrot já deu baile na colombina arrependida...
Há uma linha tênue entre a loucura e a sanidade
Uma flor nasceu no asfalto...é tão feia...mas é realmente uma flor...
E uma flor dura, pesada, de pedra...
É uma flor que lembra e esquece...que vive e morre!
Há uma tênue linha entre o real e o imaginário...
E no final...os grandes valores...não me serviram para nada!
A dor de viver é enigmática, para todos os fins.
E por mais provável que possa parecer...
Nas curvas incertas da velha via Crúcis...
Há uma tênue linha entre a vida e a morte!

terça-feira, 14 de julho de 2009

Sinestesia Policromática

Uma manhã policromática raia no horizonte...
O Sol reinando só...majestoso...
A princípio, uma baque sinestésico, cores e aromas se confundem freneticamente
Sim, é realmente diferente...mas quem disse que é ruim?
Como um imenso buraco negro...absorvido, sem cheiro...
Não há mais o gosto ácido daquele substância verde a azedar-me a boca
Sem você, nem o azul do céu, ou o aroma doce da primavera
Mais como um, choque cerebral...latente, incessante...constante!
Como uma teoria das cordas...mas essas, só servem para prender os meus pensamentos
Universo, Multiverso...quantos de mim passam pelo que passo agora?
Mas sábio aquele que conhece no ser humano, sua unimultiplicidade...Eu odeio rimas...
Por que cada homem, é um...e é todos...a casa da humanidade...
Voltem as cores, tirem de mim esse mundo monocromático...
Em uma folha qualquer...você transforma esse todo...
Depende apenas, do seu policroma...fique a vontade!

terça-feira, 7 de julho de 2009


Aonde está você quando preciso?
Para me ajudar com essa situação crítica em que me encontro
No meio de uma encruzilhada, com quatro situações diferentes para seguir
Sem saber pra onde ir
Sem saber o que fazer

Vou para o coração,
Para a razão,
Para o errado
Ou para o vazio?

Para cada lado que olho sinto vontade de seguir a corrente
Mas sinto que posso me perder
E acabar me prendendo no lugar errado
O que fazer agora?

Minha cabeça está confusa
Em cada lado vejo algo que me agrada
Mesmo sabendo que é errado eu quero ir...
Sinto-me como uma folha solta ao vento
Quando chegará a calmaria
Que aquietará a tempestade das minhas idéias
Que colocará meus pensamentos em ordem
E finalmente me levará a uma boa escolha?

quarta-feira, 1 de julho de 2009


E cá estou eu aqui de novo pensando: o que será que aconteceu
Você sumiu junto com a bruma que estava aqui a noite
Fugiu dos raios da manhã?
Ou do meu desejo incontrolável de poder
Segurar sua vida em minhas mãos?

A noite é a melhor companheira
Dá asas para a imaginação
Liberta todas as vontades e desejos ocultos
Sem margem de grilhões para imperdir o vôo tranquilo
Do pecado incrustado em sua alma

Porque se do pecado todos viemos
Passaremos todos por eles em vida
Seja pequeno ou não
Seja mórbido ou obsceno
Não importa
O que importa é que ele existe e não há nada que possa impedir que ele aconteça

Deixe-se levar pelo momento
Esqueça-se da razão por um único instante
Não pense no que pode acontecer agora
Viva o já!
Porque a única coisa da qual temos certeza é a morte,
E o que existe depois dela, ninguém voltou para contar...